A noite mais fria de inverno!
O conto abaixo retrata o que a guerra faz com alguém, e nem quem venceu, venceu de verdade!
ATENÇÃO
PODE SER SENSÍVEL PARA ALGUNS PÚBLICOS
Hoje olhemos adiante, um pouco mais distante, numa fria e chuvosa noite, e um pouco mais escura que as demais, pelo menos para James, que se levantou no meio da madrugada disperso nos seus pensamentos, e decidiu arrumar-se.
Ele veste o seu melhor e mais quente casaco, escolhe a calça que mais vai lhe proporcionar conforto e elegância, arruma o cabelo de forma que nenhum fio fique fora do lugar, mesmo que saiba que vestirá uma touca para se proteger do frio.
Ele está parcialmente impecável, exceto pelos pensamentos que o rodeiam.
Você pode imaginar que ele está indo para o trabalho, ou para um encontro às escondidas, mas assim como todas às vezes que o observei, sei que ele vai bem mais além.
Ele continua vestindo suas botas e colocando luvas nas mãos, até que então se dirige calmamente em direção à porta e ao abri-la o frio incessante bate e gela todo o seu corpo. Esse é o frio normal no inverno, mas este não é um frio qualquer. É o frio da noite, da noite mais fria de inverno.
Em seu bolso há apenas um item que o acompanha, a chave de casa. Ao seu redor uma paisagem gélida e vazia o cumprimenta, gotas brandas de chuva começam a cair, molhando sua roupa e tudo o que há em volta. Apesar de fraca, é fria, tal qual a neve.
Qualquer um em seu lugar teria voltado para ao menos buscar um guarda-chuva, ou pegar um táxi, mas quem estamos acompanhando hoje, já faz isso há tempo que se acostumou.
Seus passos são rápidos e firmes, pois ele tem certeza de onde vai, é um longo caminho até onde ele quer chegar, a sua velocidade é constante, sem parar para ver a paisagem em redor, sem prestar atenção, ele acredita que qualquer distração pode ser fatal que a sua volta os prédios ficam menos aparentes e as casas diminuem em quantidade a medida em que ele se afasta da cidade.
James tem um destino certo, posso até ouvi-lo proferir baixa e freneticamente:
– Eu consigo, eu consigo, eu consigo, e é só mais uma batalha, só mais uma batalha e eu volto para a casa, eu quero voltar, ver meus pais, minha noiva, vai ficar tudo bem… – Diz ele em tom ofegante!
Eu vejo ao seu redor, árvores cheias de neve, luzes de natal se acendendo, e pequenos flocos de neve a cair, mas ele vê dor e sofrimento, relembra os amigos que perdeu lutando contra os nazistas, relembra quando no inverno europeu ele teve que atirar em pessoas que ele não sabia se eram culpadas ou não, quando usou o tanque para atacar lugares onde poderia haver civis.
Ele teve a sorte de sobreviver, ou não, e quando chegou em casa o mundo mudou, seus pais morreram e o seu amor o deixou, então toda a noite ele levanta, tentando ir além, daquela batalha, não na guerra, não em quartéis, mas em uma luta que ele não tem força para superar, não tem a patente necessária para enfrentar o peso de ter perdido tudo o que amou.
As armas não servem, o tanque mental não existe, seu físico não funciona contra isso.
Ele não pode vencer essa batalha…
Pelo menos não da forma que venceu as outras.
Ainda o ouço o dizer antes de voltar para trás:
– Mas, o meu país venceu… – ele em diz em voz alta.
– É o que importa! – ele diz abaixando a voz.
– Eu estou feliz… – ele diz quase sem som.
Considerações finais
Em parceria com o Caldeirão Mágico, esse foi mais um conto na categoria "Contos de Inverno" e em breve teremos mais, então, nos aguardem.
Este conto pertence ao autor Samuel Boaventura, a obra e todos os direitos estão reservados ao autor. Plágio é crime!
Sobre o Autor
Me chamo Samuel Boaventura, tenho 18 anos e escrevo crônicas e poemas, atualmente estou trabalhando no meu primeiro livro, Viajante 337: Descréditos do futuro!